A dor da perda: o que ninguém fala sobre a saudade

Atualizado: 9 de Mai de 2020



De todos os textos que já entraram e que ainda vão entrar nesse blog, esse sem sombra de dúvidas foi o mais difícil de escrever, é complicado explicar aquilo que só podemos sentir. Quem convive com animais, em especial quem tem esse contato desde a infância, cria laços muito fortes com cada bichinho que passa em sua vida, e a ciência pode comprovar que essa relação influencia positivamente no desenvolvimento de uma criança. Mas como lidar com a partida de um amigo?


A morte é um fenômeno que diferente de muitos outros, a ciência não é capaz de explicar com clareza. Algumas crenças afirmam a existência de um lugar celestial onde somente almas boas são capazes de entrar, outras acreditam que nossos ‘pecados’ serão pagos em um lugar onde teremos que enfrentar nossos próprios medos, e algumas cogitam que não existe nenhuma das duas coisas, de qualquer modo, jamais saberemos o que de fato acontece quando nosso corpo para de funcionar.


Somos ensinados a falar, comer, sentar, estudar e até a tomar banho por conta própria, mas por que não somos ensinados a lidar com a perda? A verdade é que ninguém nunca está preparado para perder alguém que ama e, com os animais não é diferente. Dificilmente alguém não chorou a perda de um companheiro de 4 patas com que conviveu há bastante tempo, a dor de não poder fazer mais ou sentir que não fez o suficiente, a vontade de querer voltar no tempo quando ele era apenas um filhote e aproveitar mais momentos ao seu lado, o arrependimento pelas broncas dadas quando aquele seu sapato favorito virou o petisco dele. As lembranças são o consolo da alma.


“Não acredito que você está chorando porque um bicho morreu! É só pegar outro”. “Mas ele já estava velho, ia morrer logo, logo”. “Você tem que sofrer quando morre um ser humano e não por bicho”.


O sofrimento existe de inúmeras formas e cada um expressa à sua maneira. Ao contrário do dito popular, ninguém é substituível. Não se pode comprar o amor ou colocar outro no lugar quando quem amamos começa a fazer falta. O que ninguém nos ensina ao longo da vida é que a perda é muito dolorosa, mas que os animais passam, cumprem sua missão e partem. Seres extraordinários não podem viver eternamente. Pense em todos os momentos que você viveu ao lado do seu bichinho de estimação que já partiu. O que ele te ensinou?


Não, não estou me referindo a comandos básicos de deitar e rolar ou de quando você conseguia adivinhar o momento em que ele precisava ir ao banheiro, mas de algo maior. De todas as minhas perdas, a maior delas foi um cãozinho chamado Bruce que, no pouco tempo que viveu, me ensinou muito sobre coragem, lealdade e perseverança. Bruce quase morreu várias vezes e de todas as suas experiências de ‘quase morte’, voltava cada vez mais forte, porque sabia que sua hora ainda não havia chegado e sua missão também não estava completa.


Quando ele finalmente concluiu sua missão, eu também pude ver que meu pequeno companheiro já não aguentava mais e que era hora de me despedir. Eu não estava preparada, nunca estaremos, mas precisamos saber respeitar os ciclos da natureza, naquele momento o dele chegava ao fim. Tempos depois, pude entender que Bruce não me pertencia, nunca me pertenceu, a passagem dele por aqui tinha o objetivo de me ensinar algo e foi isso que aconteceu