Alimentação e patriarcado: como o consumo de carne reforça padrões de gênero

Atualizado: 9 de Mai de 2020


Imagem: Nik Neves/Mundo Estranho (reprodução)

Você lembra quando começou a consumir carne e a razão disso?

A carne de origem animal entrou na alimentação do homem de forma gradativa. No início dos tempos esse hábito começou quando os hominídeos passaram a consumir carne das sobras de carcaças, e a partir do surgimento do fogo esse costume se intensificou cada vez mais e foi adquirindo novos significados. Na idade média, a nobreza era cercada de banquetes fartos, muitas opções e o que reinava de fato era a quantidade, quanto mais, melhor!


Ao longo do tempo o homem encontrou novas formas de conseguir essa “matéria-prima” e reinventou a culinária antiga. Hoje com o infinito leque de possibilidades e ferramentas, é possível explorar cada vez mais os cortes e a qualidade do que chega até nossa mesa. Mas qual o seu significado? No período medieval as pessoas eram qualificadas a partir de suas posses e isso incluía, por consequência, a alimentação.


A fartura na mesa sempre foi sinal de riqueza e poder, prova disso é que ficou marcado culturalmente que celebrações precisam de pessoas com os pratos cheios. Por ser um alimento mais caro que os demais, a carne desde sempre possui ligação com dinheiro e virilidade.


Espera aí, “virilidade”?


Sim, virilidade. Caçar, pescar, matar, todas essas ações sempre foram vistas como atividades masculinas, e à mulher só cabia a parte da preparação dos alimentos, bem como as outras tarefas domésticas. Comer carne é sinal de força, vigor e também masculinidade... aí entra o patriarcado. O patriarcado nada mais é do que uma cultura universal baseada na supremacia masculina em todos os campos da sociedade, e às mulheres cabe apenas a subordinação. Tudo aquilo que está ligado à força e poder é visto como masculino e o frágil e delicado, feminino.


Ok, mas como isso está ligado a alimentação?


Se você acompanha os nossos conteúdos certamente lembra quando discutimos aqui sobre alimentação e veganismo/vegetarianismo. Então, a lógica da dominação dos animais está intimamente atrelada ao sistema de dominação e opressão da mulher. Não é à toa que as mulheres são maioria nesse movimento e que homens adeptos são tidos como “afeminados” ou “gays”, como se fosse motivo de vergonha.