Calla viajante: Diário de bordo (Dia 1)


Tia Laura, vet Suelen e eu (na caixinha)

Esperei ansiosa para o dia da tal viagem que a tia Allana disse que eu faria, aproveitei cada segundo ao lado dela e de todos os meus parceirinhos de lar, já que seria uma semana de saudade de casa.


Já no aeroporto, comecei a ficar inquieta com os barulhos esquisitos. Enxergar através dos buraquinhos da caixa era um pouco difícil, mas pelo menos ajudava a não aumentar o meu estresse. Enquanto tia Laura já tinha me pesado e assinado os papéis que me deixariam voar, a tia Suelen teve problema no balcão... o moço disse que a cadeirinha dela não era ao meu lado, ficamos nervosas! Mas a tia bateu o pé e explicou que já tinha feito aquele negócio de bilhete antes, né, até que ele aceitou. Ufa!


"Moça, você vai ter que tirar o bicho da caixa". Ihhhh, não tinha entendido nada mas quando a tia abriu minha bolsinha eu sabia que não ia gostar... "Vem, Calla, é rapidinho". Tia Laura me segurou bem forte e correu comigo pelo portal de ferro, fiquei nervosa e já queria sair dali, mas logo ela me colocou de volta e eu me acalmei.


Enquanto nosso avião não chegava, tomei algumas gotinhas homeopáticas que a madrinha Cláudia enviou para mim. Curiosa, vez ou outra colocava minha cabeça fora da bolsa quando vinham fazer um carinho, mas logo cortaram meu barato assim que uma moça sentou na cadeira bem ao meu lado, justamente onde tinha umas letras bem grandes dizendo que não podia sentar pertinho, por causa do coronga.


Na fila do embarque, tia Laura disse que eu era prioridade por ser "pet", mas uma moça não entendeu e quis fazer confusão atrás da gente. "Quer ver a gata? Você tá se batendo com a bichinha que vai colocar prótese!", achei que eu ia ter que separar uma briga, mas deu tudo certo. Esperamos um tempão em uma fila grande para poder entrar, já estava impaciente e comecei a andar em círculos na bolsa. "Calma, Calla! Daqui a pouco a gente chega. Tu estás pesada demais!". Se ela achou difícil, imagina eu que tenho que carregar os meus 5kg de puro sachê... não é fácil ser eu não, tios.


Dentro da cabine eu dei um mortal na bolsa porque só dava para me colocar no espacinho virando tudo de lado, a tia foi colocando devagarzinho até encaixar. "Pode empurrar, moça, ela tem que ficar bem lá atrás". Mas tia Laura me colocou mais pertinho para poder ficar de olho em mim (eu sei que na verdade era para eu ficar de olho nela porque ela tem medo de avião). Respira, tia!


Fui bem quietinha e quando percebi já estávamos em Belém! Ainda bem, sabe? Não aguentava mais aquele barulho de FOOOOOOOOONNN. "E essa nossa passageira exemplar? Muito comportada!". A moça bonita tinha razão mesmo, fui bem demais.