Isolamento social e Pet terapia


Ilustração: Elisa Ferro (reprodução)

Os animais são seres incríveis, cheios de energia e é difícil encontrar alguém que não seja apaixonado por eles, né? Durante esse período de isolamento social que vivemos, os peludos são grandes aliados na luta contra o estresse provocado pelas longas horas em um mesmo ambiente. Diversas pesquisas e estudos apontam o convívio com os pets como um dos principais fatores no combate a várias doenças e até no acompanhamento de pacientes em tratamentos hospitalares. Mas será que isso funciona para todo mundo?


Em entrevista concedida ao blog da GATU, a psicóloga Alciângela Bernardes explica como os animais podem ajudar nesse momento. Alciângela A. Campos Bernardes é psicóloga clínica, tem 15 anos de atuação na área, é especialista em avaliação psicológica com formação em hipnose Ericksoniana e psicologia positiva, com foco no tratamento da ansiedade, depressão e autoestima com adolescentes e adultos.



*Essa entrevista foi realizada à distância (via internet) obedecendo todas as recomendações de segurança e isolamento da Organização Mundial da Saúde de combate ao COVID-19*



Alciângela Bernardes, psicóloga.

1. De que maneira o convívio com os animais pode influenciar no comportamento das pessoas durante esse período de isolamento social?

(Alciângela) – “O convívio com os animais pode ajudar muito nesse período, eles têm essa característica de não exigir tanto, trazem uma capacidade de você poder alterar na sua rotina ou colocar nela essa prática de estar com eles, a convivência com os animais agrega em você uma possibilidade de mais tranquilidade, de companhia, de calma. Os animais de pequeno porte, por exemplo, gostam de estar perto, ficam às vezes muitas horas ao lado do dono, sem muita agitação e isso favorece bastante uma sensação de calma e tranquilidade”.

2. Quais são os benefícios dessa convivência?

(Alciângela) – “O benefício da convivência é justamente poder ter esse momento de troca, de alívio, de carinho, já que você não pode ter contato com tantas pessoas. Se você tem um mínimo espaço ou pelo menos uma possibilidade de sair na calçada com seu animal, o cuidado que você tem diariamente com ele, esses são os benefícios, a calma, a tranquilidade, o contato, o carinho em si. O animal não tem tanta exigência, ele está ali só para te dar afeto mesmo, buscando a sua atenção, isso se você estiver atento a essas reações dele, se você reconhecer isso e se focar nessas manifestações vai estar favorecendo uma relação muito profunda de troca”.

3. Como as pessoas podem aliviar os sintomas de estresse e ansiedade causados pela quarentena?

(Alciângela) – “Primeiro nós temos que entender nossos dias, entender os nossos sinais de estresse pelo tempo que estamos em distanciamento, em falta dentro do nosso convívio social. É esperado na verdade que nós possamos ter dias mais estressantes, dias difíceis, então temos primeiro tem que entender esse momento, compreender essas portas que estão fechadas e que agora teremos que abrir janelas. O estresse é um sintoma natural, então precisamos ter um pouco de tolerância e paciência com nós mesmos, entender qual é o nosso funcionamento, 'o que me ajuda a acalmar?'. Ajuda a acalmar quando eu consigo conversar com alguém, quando eu busco apoio, quando leio algo, quando escuto, quando eu faço uma prece, quando eu tomo um chá, quando eu me movimento, enfim, cada um precisa entender seu próprio ritmo e estar atento a práticas que ajudam a relaxar e a desligar. Exercícios de meditação, relaxamento, respiração e Yoga são práticas comprovadas que auxiliam as pessoas, principalmente os ansiosos, a equilibrarem-se um pouco mais”.

4. Sabemos que os animais são seres mais sensíveis e por isso são ótimas companhias. De que forma eles podem ajudar pessoas que sofrem com transtornos mentais como ansiedade e depressão?

(Alciângela) – “Animais podem ajudar muito como companhia de pessoas que possam estar um pouco mais ansiosas, se as pessoas estiverem ligadas aos animais. Então não adianta ter um cachorro, mas não gostar de cachorro. Isso precisa ser trabalhado, às vezes dar a chance, a oportunidade de se abrir a uma nova experiência, se abrir a um novo bichinho. Os animais são sensíveis, eles percebem os seus donos, percebem o seu estado emocional, eles têm essa capacidade. É importante estar aberto a essa conexão e a uma nova convivência! Imagina uma pessoa que está trabalhando nesse momento em home-office, hoje ela pode ter a companhia do seu cachorro, do seu gato enquanto está trabalhando e isso é muito bom! Isso pode lhe proporcionar pausas e momentos prazerosos, de relaxar e de estar em tranquilidade com esse animal. A própria respiração deles enquanto dormem, se você observar, traz tranquilidade, mas para isso você precisa desenvolver uma sintonia com esse animal, ter essa possibilidade e dar chance para novos hábitos”.


Pet Terapia


Foto: Camila Cunha (reprodução)

Conhecido como Terapia Assistida por Animais (TAA), o método ganhou espaço justamente por proporcionar bem-estar e auxiliar no controle emocional de pacientes, crianças, idosos e pessoas com transtornos mentais. O contato próximo com animais reduz a ansiedade e diminui alterações cardíacas e a pressão arterial, contribuindo significativamente no tratamento de quem precisa.


Após a comprovação científica dos benefícios do convívio de humanos com animais, essa alternativa passou a fazer parte da medicina moderna como forma de aliviar a tensão e os efeitos causados por tratamentos longos como quimioterapia e acompanhamento de crianças com deficiências físicas e/ou motoras. É importante lembrar que nem todo animal pode ser levado para o ambiente hospitalar ou estar muito próximo de pessoas com a saúde debilitada sem os devidos cuidados.


É necessário que:


- O pet esteja com a carteira de vacinas devidamente atualizada e com a vermifugação em dias, para evitar parasitas e/ou doenças que possam acometer os pacientes e o próprio animal;


- Estar corretamente higienizado. É indicado que o animal tome banho no dia da sessão para que esteja o mais limpo possível e, se necessário, também ser tosado;


- Antes de estar apto para esse tipo de tratamento, o animal deve ser treinado para estar em um ambiente diferente com várias pessoas, a saúde dele também é um fator importante para que esse momento seja benéfico para todos. Peludos que costumam se estressar com facilidade e/ou possuem dificuldade de socialização não devem ser incluídos na TAA.


Antes de tudo devemos ter sempre em mente que a relação com os animais é sim uma experiência muito importante, mas necessita de responsabilidades. Um bichinho precisa de cuidados, atenção e espaço para ter uma qualidade de vida, verifique suas condições financeiras, psicológicas e estruturais antes de adotar. Tenha certeza que a partir desse dia, sua vida será muito mais feliz!




*Esse conteúdo não substitui uma consulta com um profissional especializado, procure um médico*



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