Meio ambiente e as formas de vida... vida de quem?

Atualizado: 9 de Mai de 2020



Quando pensamos em meio ambiente automaticamente nos vem à cabeça natureza, florestas frondosas, animais exuberantes e raros, água em abundância e afins. Mas quando se trata disso, nós enquanto seres humanos, também podemos ser entendidos como meio ambiente, assim como o espaço em que vivemos, os objetos que utilizamos diariamente, tudo é meio ambiente. Ou seja, as ações praticadas voluntária ou involuntariamente refletem no outro de forma significativa.


Nesse sentido, o crescimento ou não dessas duas formas de vida caminham lado a lado, de modo que se uma delas sofre determinada alteração, influenciará na outra. E a partir do desequilíbrio entre o homem e a natureza, surgiu a crise ecológica, evento esse que gerou uma série de danos ambientais, afetando os recursos naturais e colocando em risco a vida dos seres humanos. Partindo dessa premissa e da relação indissociável do homem com a natureza, percebe-se ao longo do tempo o crescimento constante no número de desastres que prejudicam ainda mais o desenvolvimento da biosfera.


Como exemplo recente, podemos citar o rompimento da barragem da mina do córrego do Feijão, em Brumadinho-MG em janeiro de 2019, a catástrofe é considerada um dos maiores desastres com rejeitos de minério do país. A notícia foi publicada nos veículos do Brasil todo e repercutiu também na mídia internacional, gerando assim debates acerca da importância do rigor nas fiscalizações em barragens e, as consequências futuras para a população.


Estima-se que o rompimento da barragem tenha feito 235 vítimas e aproximadamente 35 pessoas ainda estejam desaparecidas, de acordo com informações do site G1 em matéria publicada no dia 3 de maio de 2019. O que pretende se discutir aqui não é a importância da vida humana, pois esta tem valor inestimável, mas sim a necessidade de entender que todos os seres vivos possuem o mesmo grau de relevância, tendo em vista a posição de imensurável valia que cada um ocupa na natureza, e na interdependência dessa relação.


Se for contabilizado todas as vidas perdidas em catástrofes ambientais, o número certamente ultrapassará a casa do milhão, pois muito embora não se considere a perda da vegetação nativa e dos animais que ali viviam, para o ecossistema existente na região essas mortes são irreparáveis. Sendo assim, a partir da retirada desses componentes a natureza precisa se readaptar para continuar existindo e, a forma de responder a esses enfrentamentos pode variar de acordo com o grau de seriedade.


Tudo bem, mas onde entram os animais nessa história?


Desde a consolidação do costume de criar animais de forma domesticada, servindo como seres de companhia, as informações acerca desse assunto destinam-se quase que exclusivamente a cães e gatos. A essa forma de seletividade, que exclui as demais espécies, denomina-se ‘especismo’, termo utilizado para explicar o ato de atribuir valor e separar espécies que, do ponto de vista humano, são estimados, dos que podem ser explorados e não são entendidos como vida, mas apenas uma maneira de subsistência humana.


No acontecimento em Brumadinho, os animais foram tratados com descaso em relação às vidas humanas, e só então após a mobilização de voluntários, ativistas da proteção animal e ambientalistas, a população tomou conhecimento de que eles estavam soterrados e a maioria morrendo de fome e sede. Segundo informações da Brigada Animal retiradas do site EXAME em matéria publicada dia 6 de fevereiro de 2019, 350 animais foram resgatados, alguns conseguiram voltar para suas famílias e os que não conseguiram retornar para seus tutores foram encaminhados para adoção.


O mesmo acontece no incêndio que está destruindo boa parte da vegetação na Austrália desde setembro de 2019, segundo especialistas, a causa do fogo se dá pela alta na temperatura na região e a falta de chuvas, deixando a área mais seca e fragilizada, sendo assim, mais suscetível a desastres. Esse desequilíbrio ambiental é na verdade resultado da ação humana e dos impactos gerados pelo “desenvolvimento”. Conforme a ‘selva de pedra’ vai se consolidando, aos poucos a natureza vai desaparecendo.


Qual o valor da vida de outras espécies? E quem é responsável por fazer essa distinção? É importante perceber como somos influenciados desde o nosso nascimento pela cultura que nos cerca e apesar de estarmos no centro da Amazônia, o instinto de proteção parece não fazer parte dos nossos costumes, o que explica todos os desastres envolvendo a natureza e principalmente o esgotamento de recursos naturais. Ainda que estejamos caminhando para um futuro incerto, aos poucos, parte da população já começa a olhar com mais cuidado para aquilo que antes era considerado coisa de “naturalista”.


Cuidar de si também é cuidar do outro, mas por que não cuidar dos dois? Afinal, não existe sustentabilidade sem pensar o meio ambiente, e sendo meio ambiente tudo aquilo que o homem é e produz, é primordial tomar partido de uma batalha onde não existem inimigos, mas sim aliados na transformação e evolução do ecossistema.



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