O adoecimento dos que cuidam

Atualizado: 9 de Mai de 2020


Ilustração: Sarah Massini

Qualquer causa voluntária costuma exigir muito das pessoas que se engajam e dedicam suas vidas em prol de um bem maior, na proteção animal não é diferente. É reconfortante poder ver o alívio de um bichinho que não passa mais fome ou não sente mais dor, ajudar de alguma forma um ser que, independente de qualquer coisa, vai estar ao seu lado sempre. Mas quem cuida dessas pessoas?


"Como assim quem cuida dessas pessoas? A obrigação delas não é resgatar os animais?"


Não, a obrigação do voluntário não é resgatar todos os animais!


Vamos ao começo... a tutela jurídica dos animais que vivem nas ruas pertence ao Estado, ou seja, a responsabilidade é do poder público. No entanto, como alternativa ao descaso pela vida desses seres, alguns pequenos grupos deram início ao que hoje conhecemos como proteção animal. No Brasil, os primeiros registros ocorreram na cidade de São Paulo em 1895, com a criação de uma filial da União Internacional Protetora dos animais - UIPA.


É importante perceber que a existência de ONG's e grupos de proteção só nasceram pela falta de assistência governamental, sendo assim o papel dos voluntários não é cuidar de todos os animais (principalmente os tutelados), mas sim zelar por aqueles que ainda estão nas ruas, fazendo aquilo que podem, na medida do possível, para garantir que eles possam ter uma qualidade de vida e um lar com amor e carinho.


Na teoria as palavras são tão bonitas que parecem até trechos de livro, mas na prática é bem diferente. Todos os dias são dezenas de pedidos de ajuda: animais mutilados, filhotes jogados ao relento, acidentes em que o condutor não prestou socorro, animais que cresceram e não são mais fofos (e por isso são descartados), bichinhos que foram adotados por impulso ou em datas festivas e agora os 'tutores' não sabem mais o que fazer... e essa é só a ponta do iceberg.


Dificilmente você vai encontrar algum protetor ou ONG que não tenha dívidas em clínicas pela cidade ou, até mesmo que esteja com o nome sujo na praça pelas contas. Infelizmente essa é a dura realidade que enfrentamos diariamente! Estamos muito longe do Instituto Luisa Mell e sua mega estrutura com salas de cirurgia e internação, mas os casos que lidamos são graves da mesma forma. O problema é que a maioria das pessoas esquece de quem está por trás dos animais que estão ali saudáveis e disponíveis para adoção. Não, eles não se curam milagrosamente, não somem da rua por um tempo e voltam curados por força da natureza e muito menos sobrevivem pois 'sabem se virar sozinhos'.


Responda sinceramente: quantas vezes você pensou na saúde da pessoa que resgata os animais quando encontrou um bichinho ferido? Antes de pedir ajuda, você tentou fazer tudo que estava ao seu alcance para ajudar?


Se a resposta for 'Não', nós precisamos conversar...