O Coronavírus e o preconceito com os animais

Atualizado: 9 de Mai de 2020


Imagem: R7 notícias (reprodução)

Em dezembro de 2019, a Organização Mundial da Saúde – OMS enviou um alerta sobre alguns casos de pneumonia registrados na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, na China. Após análise da sequência do vírus feita por cientistas chineses, foi detectado que se tratava de um novo tipo de Coronavírus, muito semelhante ao da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).


Não se sabe ao certo a origem exata da doença do Coronavírus (COVID–19), no entanto milhares de casos foram registrados na China e acredita-se que o vírus tenha se espalhado por viajantes e já esteja presente em inúmeros países. A primeira suspeita é de que a doença tenha se manifestado através do contato de humanos com espécies marinhas vendidas em um mercado chinês. A desconfiança em relação aos animais foi tão grande que, na China uma onda de abandonos começou de forma avassaladora. Por medo de contraírem a doença através do contato com os bichos, os cidadãos simplesmente jogaram seus pets na rua.


De acordo com informações da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (World Small Animal Veterinary Association – WSAVA), os Coronavírus fazem parte da família Coronaviridae (recebem esse nome pelo seu aspecto semelhante a uma coroa), sendo assim os coronavírus alfa e beta costumam infectar os mamíferos, enquanto os coronavírus gama e delta comumente infectam aves e peixes. “O coronavírus canino, que pode causar diarreia leve, e o coronavírus felino, que pode causar peritonite infecciosa felina (PIF), são ambos alfa-coronavírus. Esses coronavírus não estão associados ao atual surto de coronavírus (...) Atualmente, não há evidências de que animais de estimação (cães e gatos), possam ser infectados pelo SARS-Cov-2 ou transmitir a COVID-19. Esta é uma situação em rápida evolução e as informações serão atualizadas à medida que estiverem disponíveis”.


Até o momento não há informações científicas que comprovem o contágio da COVID-19 através dos animais, ainda que existam variações do vírus que podem acometer felinos e caninos, a transmissão acontece apenas entre animais da mesma espécie, da mesma forma ocorre com seres humanos. Ou seja, não há motivos para abandonar o seu bichinho, a pior epidemia que existe é a da falta de informação.



O que dizem os especialistas?


É comum quando há surto de alguma doença as pessoas apontarem os animais como causadores da situação, quando alguns hábitos simples podem evitar uma série de transtornos e também o contágio de doenças. A COVID-19 pode ser transmitida através do contato com secreções como:


  • Gotículas de saliva;

  • Espirro;

  • Tosse;

  • Catarro;

  • Contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;

  • Contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.


O Ministério da Saúde orienta algumas precauções básicas que podem ser tomadas para evitar a proliferação e o contágio da doença:


  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool;

  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;

  • Evitar contato próximo com pessoas doentes;

  • Ficar em casa quando estiver doente;

  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo e evitar tossir ou espirrar nas mãos;

  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência;


Forma correta de espirrar e/ou tossir | Imagem: Irina Strelnikova/Shutterstock (reprodução)

Em entrevista concedida ao blog da Gatu, a médica veterinária Suelen Chucre, formada pela Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA, especialista em clínica cirúrgica, conta que existe uma diferença na formação do vírus que ataca os humanos.


Todo vírus sofre mutação, por isso todo ano existe campanha de vacinação para doenças, porque os vírus podem sofrer alterações, ou seja, o vírus da gripe hoje pode não ser o mesmo de 5 anos atrás. Os estudos ainda estão sendo evoluídos em relação ao contágio, para saber se é possível um animal infectar o ser humano, por enquanto não existe nenhuma comprovação. A forma de contágio é diferente, só acontece entre indivíduos da mesma espécie, explica a veterinária.

É ignorância abandonar os animais levando em consideração informações sem fundo científico, principalmente sem conferir a veracidade dos fatos. Antes de compartilhar ou disseminar qualquer dado, pesquise e apure a procedência. Fake News mata!


Para dúvidas relacionadas a doenças e casos de saúde pública, acesse: saude.gov.br/fakenews




74 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo