O valor de uma vida: o mercado clandestino de animais

Atualizado: 9 de Mai de 2020


Imagem: Nimis69 | iStock (reprodução)

Quando você pensou em ter um animal de estimação qual bichinho passou pela sua cabeça? Provavelmente um cachorro com uma pelagem longa, sedosa, que chamasse bastante atenção nos passeios pelas redondezas, né? Ou aquele cão de expressão sisuda, que amedrontasse quem tentasse chegar perto. Você pagaria para ter o animal perfeito?


Na verdade, o mercado da venda de animais é baseado exatamente nisso, na demanda de pessoas que escolhem como querem os seus pets. Focinho curto, longo, porte grande, médio, com ou sem rabo, orelhas cortadas, e por aí vai, realmente como se você estivesse escolhendo um produto. Mas mutilar animais não é considerado maus-tratos? Sim, e nós já vamos chegar nesse ponto, antes vamos a um breve panorama das raças mais caras atualmente.


A lista de animais de raça é bastante extensa e atende a todos os gostos. No topo do ranking dos cachorros mais caros está o queridinho Lulu da Pomerânia, que pode custar a bagatela de R$17.000 reais, seguido do Afghan Hound, Komondor, Boston Terrier, Bulldogs, Corgi, Rotweiller e claro, os Pitbulls, nenhum filhote sai por menos de R$500,00 reais. Em comparação, o preço dos gatos é um pouco menor, no entanto, o mais “barato” da lista é o Siberiano, no valor de R$2.500 reais. Apesar de serem valores bem altos há quem esteja disposto a pagar por eles e, é assim que o mercado da exploração com a venda de animais gira.


Para que o seu filhotinho lindo chegue até você, um processo bem longo que vai desde estupro até cesarianas forçadas precisou acontecer... várias vezes. A fêmea, comumente chamada de matriz, é forçada a copular através de uma contenção grotesca de ferro que une ela ao macho da mesma espécie, os dois são amordaçados para que não ataquem e possam cooperar mais. Esse processo se repete exaustivas vezes até que essa matriz não seja mais capaz de gerar nenhum filhote, em outras palavras, até que esteja morta. Ainda doentes as fêmeas são forçadas a cruzar, o que leva a uma série de doenças gravíssimas e muito dolorosas, como displasia mamária, piometra (infecção no útero) e etc.

Além disso, raças de pequeno porte possuem uma dificuldade maior no parto, e é aí que entram as cesarianas. Para garantir que essa ‘galinha dos ovos de ouro’ não morra no parto é preciso agir rápido para retirar os filhotes, não importa como seja... Cirurgias malfeitas que acabam em infecção são extremamente comuns nesses casos, cicatrizes enormes que vão do peito até à vagina e dores excruciantes fazem parte da vida de um animal de cativeiro.


Ah, muito importante lembrar que a maioria dos filhotes que nascem nesses canis já apresentam doenças que foram transmitidas pela mãe. Problemas crônicos e infecciosos são só uma parte de algo bem maior, isso sem levar em consideração desnutrição e malformação congênita devido a uma alimentação inadequada da matriz.




“QUER FOCINHO CURTO? TEM!”

Outro ponto muito importante que poucas pessoas sabem é de como surgiram algumas raças. Sabe aquele ronquinho dos Pugs que você acha hiper mega fofo? Pois é, esse barulhinho nada mais é do que o resultado de cruzamentos e seleções genéticas para criar uma raça pequena e “carismática”. Os Pugs sofrem com muitos problemas respiratórios por conta do focinho achatado, o que dificulta a entrada e saída de ar, ocasionando os roncos. Os olhos esbugalhados da raça são consequência do achatamento do crânio, o que aumenta as chances de lesões na córnea, úlceras e até cegueira. Problemas de pele também são facilmente encontrados entre suas inúmeras dobrinhas no corpo. Ah! O Pug também tem maior chance de sofrer morte súbita em decorrência de desmaios que são comuns da raça.


Problemas assim também podem ser encontrados nas raças: Bulldog, Shih-Tzu, Rottweiler, Yorkshire, Labrador, Beagle, Boxer e por aí vai. Disfunções que vão desde desgaste das articulações até espasmos cerebrais que causam a morte. Quando você compra um animal de raça também adquire todas essas doenças no pacote, pague 1 e leve 10. As experimentações nos cruzamentos foram inventadas pelos criadores ao redor do mundo com o objetivo de ““melhorar as raças”” e na verdade modificaram tanto esses animais para que tivessem o melhor desempenho, o rosto mais fofo, o melhor faro para caça, que destruíram a essência da espécie e influenciaram na qualidade de vida desses indivíduos, tudo isso com o incentivo do seu dinheiro.


E em animais híbridos, você já ouviu falar? Pois é, essa denominação se refere a cruzamento de raças famosas que resultam em uma terceira raça novíssima e super diferente de tudo... e realmente é, mas não de uma forma positiva! Recentemente, o criador da hibridação “Labradoodle” (mistura de Labradoor e Poodle) em entrevista à ABC, disse ter se arrependido da invenção e que os cães da raça são “doidos”. E nem chegamos na pior parte... está preparado? O Labradoodle foi criado para ser um cão guia de pelagem “antialérgica”... acho que nem precisa explicar mais nada.




BRIGA DE CACHORRO GRANDE


É quase impossível alguém não ter ouvido falar recentemente nos cachorros resgatados de uma chácara em Mairiporã, na grande São Paulo. Foram 19 cachorros encontrados em situação de maus-tratos, debilitados e machucados. De qual raça? Pitbulls! Cães criados de maneira agressiva para brigarem em rinhas até a morte. A ação ganhou notoriedade nacional após o esquema criminoso ter sido descoberto pela polícia, os animais resgatados estão sob cuidados do Instituto Luisa Mell e do projeto Pits Ales.


Provavelmente o que você sabe da raça Pitbull é que são animais extremamente agressivos e com um instinto de caça apurado, matam outros animais, pessoas e destroem tudo. Você foi enganado! Historicamente, a raça foi criada de forma agressiva para rinhas e também para serem utilizados como guardas devido ao seu porte robusto e resistente, mas os Pitbulls são cães extremamente dóceis e companheiros, principalmente com crianças, são capazes de assustar pelo tamanho, mas são incrivelmente carinhosos.


Animal nenhum, seja da raça que for, até mesmo os Pitbulls nascem agressivos. Animais agressivos são resultado da criação que recebem, se você o ensina a ser violento, agride, maltrata, ele vai manifestar esse trauma de forma negativa. Se o comportamento do seu bichinho está diferente isso pode significar que ele esteja com alguma alteração no organismo, mas em nada tem a ver com a raça. Os animais criados para rinhas foram ensinados desde sempre a entrarem em uma arena para matar ou morrer para satisfação do seu criador, ninguém escolhe ser agressivo, eles não escolheram!


Vale tanto sacrifício única e exclusivamente por um fetiche do homem em ter o animal ‘perfeito’? A crueldade não deixa de existir só porque você não está vendo, o mercado da exploração é alimentado e se fortalece cada vez que um filhote é adicionado no carrinho de compras dos sites de venda ou quando você troca um cachorro por um iPhone nos grupos de anúncio, reforçando que a vida dele é equivalente a um objeto. Animais são forçados a esgotar seus corpos como ferramenta de procriação infindável, servirem como alimento, vestimenta e até instrumento de batalha. Com certeza, se existe o céu e o inferno dos animais, nós somos o diabo.



Abaixo algumas fotos de Pitbulls criados da maneira correta, com muito amor!




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